{"id":1583,"date":"2013-03-13T14:57:50","date_gmt":"2013-03-13T17:57:50","guid":{"rendered":"https:\/\/ipdes.worxbase.com\/?p=1583"},"modified":"2024-05-03T14:58:07","modified_gmt":"2024-05-03T17:58:07","slug":"ousadia-para-acordos-bilaterais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ipdes.worxbase.com\/en\/ousadia-para-acordos-bilaterais\/","title":{"rendered":"Ousadia para acordos bilaterais"},"content":{"rendered":"<p>Escrito por&nbsp;<a href=\"https:\/\/ipdes.worxbase.com\/en\/author\/admipdes\/\">Ingo Ploger<\/a>&nbsp;em&nbsp;mar\u00e7o 13, 2013.<\/p>\n\n\n\n<p>A velocidade com que as alian\u00e7as est\u00e3o ocorrendo entre outros blocos \u00e9 intensa e podemos ficar<\/p>\n\n\n\n<p>Por Ingo Ploger<\/p>\n\n\n\n<p>O empresariado brasileiro tem reivindicado h\u00e1 algum tempo uma posi\u00e7\u00e3o mais efetiva do governo no que se refere a acordos comerciais com outros pa\u00edses. O pleito foi corroborado recentemente com uma carta do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), enviada \u00e0 presid\u00eancia, e com a divulga\u00e7\u00e3o da Agenda de Integra\u00e7\u00e3o Externa pela Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Estado de S\u00e3o Paulo (Fiesp). Entretanto, mesmo com todos os argumentos e n\u00fameros explanados em ambos os documentos, nenhuma a\u00e7\u00e3o foi tomada.<\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil est\u00e1 muito atr\u00e1s de outras na\u00e7\u00f5es no que se refere a acordos preferenciais de com\u00e9rcio. Enquanto o Chile fechou 62 parcerias, a Col\u00f4mbia 60 e o Peru 52, o Brasil permanece negociando internacionalmente por meio de 22 prefer\u00eancias, sendo que nos \u00faltimos vinte anos celebramos apenas tr\u00eas: com Israel, Palestina e Egito. Agora, a necessidade de maior aten\u00e7\u00e3o a essa pauta se mostra com a celebra\u00e7\u00e3o da Alian\u00e7a para o Pac\u00edfico, acordo que engloba Chile, Peru, M\u00e9xico e Col\u00f4mbia e j\u00e1 tem 90% dos itens em pauta consensados. Tal acordo, ao qual o Brasil apenas assiste, facilita n\u00e3o s\u00f3 a integra\u00e7\u00e3o entre os pr\u00f3prios pa\u00edses envolvidos como tamb\u00e9m com a Uni\u00e3o Europeia e os EUA, blocos aos quais n\u00e3o temos acesso.<\/p>\n\n\n\n<p>Precisamos de urg\u00eancia na mudan\u00e7a de nossas pautas porque a velocidade com que as alian\u00e7as est\u00e3o ocorrendo \u00e9 intensa e podemos ficar isolados frente ao com\u00e9rcio internacional. Exemplo disto \u00e9 o recente e in\u00e9dito Acordo de Livre Com\u00e9rcio entre a China e a Su\u00ed\u00e7a<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, a Alian\u00e7a para o Pac\u00edfico \u00e9 apenas mais um dos v\u00e1rios Acordos Preferenciais de Com\u00e9rcio que t\u00eam sido fechados nos \u00faltimos anos. De acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio (OMC), at\u00e9 janeiro de 2013 foram efetuados 543 acordos bilaterais em todo o mundo, dos quais mais da metade foram negociados nos \u00faltimos dez anos e 354 est\u00e3o em vigor. Essa prolifera\u00e7\u00e3o cria uma nova regula\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio mundial, sobretudo devido ao impasse das negocia\u00e7\u00f5es da Rodada Doha e \u00e0 falta de atualiza\u00e7\u00e3o das regras da OMC. Neste sentido, \u00e9 importante que o Brasil defina quais s\u00e3o seus interesses e estabele\u00e7a princ\u00edpios para firmar uma posi\u00e7\u00e3o neste cen\u00e1rio, sob o risco de sofrer um isolamento que prejudicar\u00e1 substancialmente nossa ind\u00fastria.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, nossa atua\u00e7\u00e3o internacional \u00e9 quase que totalmente feita por meio do Mercosul, que teve suas vantagens competitivas e comparativas durante muitos anos, mas que com as situa\u00e7\u00f5es atuais da Argentina e da Venezuela est\u00e1 com dificuldades para se posicionar em rela\u00e7\u00e3o a blocos importantes. Hoje, por ser a maior economia do bloco, a mais sustent\u00e1vel, com os menores \u00edndices de infla\u00e7\u00e3o e os maiores de crescimento, o Brasil carrega um peso muito alto tentando levar todos os outros parceiros a um denominador comum. Lembrando que os recentes acordos celebrados por nossos vizinhos se sobrep\u00f5em \u00e0s prefer\u00eancias tarif\u00e1rias que j\u00e1 conquistamos, o que nos faz perder progressivamente a express\u00e3o no continente. O que temos \u00e9 pouco, precisamos de mais.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, pleiteamos com urg\u00eancia que o Brasil assuma a lideran\u00e7a desse bloco para impor um ritmo mais acelerado nessas quest\u00f5es e recuperar o espa\u00e7o que perdemos, nos aproximando mais da din\u00e2mica que observamos em outros pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina. Nesse contexto, sugerimos duas sa\u00eddas. Uma delas seria o Brasil se sobressair perante os outros membros e oferecer \u00e0 Uni\u00e3o Europeia, por exemplo, uma proposta muito mais ousada para acelerar a negocia\u00e7\u00e3o que j\u00e1 est\u00e1 em andamento. A outra \u00e9 nos inserirmos em um contexto maior em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Alian\u00e7a do Pac\u00edfico, acordo que est\u00e1 ocorrendo na nossa vizinhan\u00e7a e com o qual perder\u00edamos espa\u00e7o tanto para os EUA como para a China, mercado de alta relev\u00e2ncia principalmente no que se refere a produtos beneficiados.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, h\u00e1 um forte desequil\u00edbrio entre o que estamos absorvendo e o que podemos oferecer ao com\u00e9rcio mundial. Enquanto aumentamos intensamente nossa pauta importadora de produtos transformados e beneficiados, especialmente vindos da \u00c1sia, mas tamb\u00e9m dos EUA e da Uni\u00e3o Europeia, nossa exporta\u00e7\u00e3o tem avan\u00e7ado muito na quest\u00e3o de produtos b\u00e1sicos, representados principalmente pelas commodities agroindustriais, minerais e energ\u00e9ticas. Isso \u00e9 bom, mas n\u00e3o \u00e9 suficiente. No contexto atual, h\u00e1 ainda uma substitui\u00e7\u00e3o do modelo tradicional de bens produzidos integralmente em um pa\u00eds por uma cadeia de produ\u00e7\u00e3o global que envolve um com\u00e9rcio de tarefas (trade in tasks), uma vez que os APCs reduzem custos de transa\u00e7\u00e3o e eliminam barreiras \u00e0 produ\u00e7\u00e3o internacional. Com o n\u00famero limitado de acordos, o Brasil fica fora dessa cadeia e compromete substancialmente sua inser\u00e7\u00e3o global. Neste sentido, precisamos de parcerias com regi\u00f5es que possam integrar nossas empresas, ou seja, fontes de investimentos e tecnologia, como Europa, Jap\u00e3o e Am\u00e9rica do Norte.<\/p>\n\n\n\n<p>Enfim, voltamos a afirmar que se n\u00e3o buscarmos prefer\u00eancias por meio de acordos comerciais perderemos ainda mais espa\u00e7os e oportunidades n\u00e3o s\u00f3 nas categorias de produtos, mas tamb\u00e9m de cadeias produtivas. Entendemos que uma maior aproxima\u00e7\u00e3o com as economias internacionais traz diversos desafios e que a baixa competitividade de nossa ind\u00fastria \u00e9 um obst\u00e1culo significativo, mas destacamos tamb\u00e9m que o isolamento n\u00e3o \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o para nosso pa\u00eds. Considerando que as negocia\u00e7\u00f5es deste tipo s\u00e3o complexas e lentas, precisamos de urg\u00eancia na mudan\u00e7a de nossas pautas e ousadia, porque a velocidade com que as alian\u00e7as est\u00e3o ocorrendo entre outros blocos \u00e9 intensa e podemos ficar isolados frente ao com\u00e9rcio internacional. Exemplo disto \u00e9 o Acordo de Livre Com\u00e9rcio entre a China e a Su\u00ed\u00e7a, firmado recentemente, considerado um acordo hist\u00f3rico, o primeiro do g\u00eanero firmado entre Pequim e um pa\u00eds da Europa ocidental.<\/p>\n\n\n\n<p>Temos necessidade de mudan\u00e7as substanciais para atingir as estrat\u00e9gias brasileiras e, para isso, s\u00e3o necess\u00e1rias ousadia e urg\u00eancia das lideran\u00e7as relacionadas ao com\u00e9rcio exterior.<\/p>\n\n\n\n<p>Ingo Ploger \u00e9 presidente no Brasil do Conselho Empresarial da Am\u00e9rica Latina (CEAL).<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Escrito por&nbsp;Ingo Ploger&nbsp;em&nbsp;mar\u00e7o 13, 2013. A velocidade com que as alian\u00e7as est\u00e3o ocorrendo entre outros blocos \u00e9 intensa e podemos ficar Por Ingo Ploger O empresariado brasileiro tem reivindicado h\u00e1 algum tempo uma posi\u00e7\u00e3o mais efetiva do governo no que se refere a acordos comerciais com outros pa\u00edses. 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