{"id":1518,"date":"2010-08-05T14:40:29","date_gmt":"2010-08-05T17:40:29","guid":{"rendered":"https:\/\/ipdes.worxbase.com\/?p=1518"},"modified":"2024-05-03T14:41:14","modified_gmt":"2024-05-03T17:41:14","slug":"o-limite-do-crescimento-ou-o-crescimento-dos-limites","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ipdes.worxbase.com\/en\/o-limite-do-crescimento-ou-o-crescimento-dos-limites\/","title":{"rendered":"O limite do crescimento ou o crescimento dos limites?"},"content":{"rendered":"<p>Escrito por&nbsp;<a href=\"https:\/\/ipdes.worxbase.com\/en\/author\/admipdes\/\">Ingo Ploger<\/a>&nbsp;em&nbsp;agosto 5, 2010.<\/p>\n\n\n\n<p>O Banco Central do Brasil elevou a taxa Selic em 50 pontos-base, contrapondo a tend\u00eancia da maioria dos analistas de mercado, que apostavam em 75 pontos-base. A tend\u00eancia de alta dos juros se deve \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o do Copom de que a ind\u00fastria brasileira estava superaquecida em mais de 14% frente ao ano anterior, puxando o PIB para mais de 9% ao ano. Pela avalia\u00e7\u00e3o, esta evolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o seria sustent\u00e1vel para manter o Brasil com o centro da infla\u00e7\u00e3o nos n\u00edveis propostos de 4,5% ao ano.<\/p>\n\n\n\n<p>A escassez nos suprimentos, a eleva\u00e7\u00e3o dos insumos e a falta de produtos, como autom\u00f3veis, fez com que o freio fosse acionado. Acontece que, com a alta de juros, n\u00e3o s\u00f3 o setor industrial se esfria, mas todo o cr\u00e9dito, o que afeta o com\u00e9rcio em geral, reduzindo a velocidade da moeda em curso. Em julho encontramos sinais contradit\u00f3rios: de um lado, estoques no setor automotivo acima do esperado e redu\u00e7\u00e3o de demanda na linha branca; por outro lado, crescimento extraordin\u00e1rio no setor imobili\u00e1rio e em algumas \u00e1reas de consumo, al\u00e9m do turismo. Os sinais contradit\u00f3rios j\u00e1 explicam o porqu\u00ea da redu\u00e7\u00e3o da expectativa inflacion\u00e1ria e o in\u00edcio da redu\u00e7\u00e3o do crescimento dos juros.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto isto, nos Estados Unidos, outros sinais contradit\u00f3rios s\u00e3o emitidos pelas empresas e pelo Fed; alguns resultados semestrais surpreendem pela recupera\u00e7\u00e3o, em especial do setor automotivo e do consumo de bens n\u00e3o dur\u00e1veis, outros apresentam resultados ainda muito apertados, aqu\u00e9m do esperado, e com isso, o Fed mant\u00e9m certa instabilidade quanto ao horizonte da economia norte-americana.<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>\u201cTemos um limite para o nosso crescimento? Se sim, qual seria esse limite?\u201d<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A Europa concluiu seus testes de estresse com os bancos e demonstrou controle sobre a situa\u00e7\u00e3o, embora apresente alguns deles na UTI. \u00c9 interessante notar que, nos EUA, centenas de pequenos bancos quebraram sem que isto fosse not\u00edcia de manchete em qualquer jornal de grande circula\u00e7\u00e3o. A China reduz, de maneira sutil, mas permanente, o seu crescimento em fun\u00e7\u00e3o do aquecido setor imobili\u00e1rio. A redu\u00e7\u00e3o do expressivo crescimento tamb\u00e9m se deve pela eleva\u00e7\u00e3o dos \u00edndices inflacion\u00e1rios, sem que estes fossem repassados aos sal\u00e1rios (motivo pelo qual, talvez, pela primeira vez, colaboradores de empresas estrangeiras entram em greve, reivindicando aumento salarial). Ser\u00e1 que se inicia aqui tamb\u00e9m um processo de limitar crescimentos em fun\u00e7\u00e3o dos indicadores macroecon\u00f4micos?<\/p>\n\n\n\n<p>Os quatro exemplos acima colocados demonstram que, embora tenham realidades distintas, no Brasil, na Europa, nos EUA e na China as conseq\u00fc\u00eancias s\u00e3o similares, ou seja, limita-se o crescimento em fun\u00e7\u00e3o da estabilidade macroecon\u00f4mica.<\/p>\n\n\n\n<p>Voltando a quest\u00e3o novamente ao Brasil, fica a pergunta: Temos um limite para o nosso crescimento? Se sim, qual seria este limite?<\/p>\n\n\n\n<p>Na d\u00e9cada de 1970, divulgou-se um estudo elaborado pelo ent\u00e3o Club de Roma, que alertava as na\u00e7\u00f5es de que os recursos naturais s\u00e3o finitos e que o crescimento n\u00e3o tinha como ser indefinidamente alto. \u00c0 \u00e9poca, a OPEP, que deve ter estudado muito bem esse assunto, elevou os pre\u00e7os do petr\u00f3leo que eram em torno de US$ 5,00 o barril, para perto dos patamares hoje vistos, acima dos US$ 70,00 por barril. A l\u00f3gica da \u00e9poca era a de que os insumos eram limitados e que, portanto, o crescimento estava limitado \u00e0 sua exaust\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A realidade posterior mostrou que o limite do crescimento n\u00e3o ocorreu pelo limite da exaust\u00e3o, mas pelo crescimento dos limites em todos os campos industriais e sociais. Os recordes de produtividade e inova\u00e7\u00e3o superaram limites n\u00e3o conhecidos e, na economia, os limites nacionais foram superados pelos limites regionais e pela amplitude global dos mercados. Com este aprendizado, entramos na avalia\u00e7\u00e3o brasileira. Se hoje temos os nossos limites testados, para n\u00e3o serem inflacion\u00e1rios, entre 6 a 7%, n\u00e3o quer dizer que jamais poderemos crescer acima destes limites. O limite entre 6 a 7% parece vi\u00e1vel, no equil\u00edbrio entre servi\u00e7os, crescendo na ordem de 5 a 6% (50% do PIB); a agricultura, entre 6 e 7% (23% do PIB); e a ind\u00fastria crescendo at\u00e9 8%. A quest\u00e3o \u00e9 como fazer para expandir os limites para cada uma das partes do PIB, sem tornar a evolu\u00e7\u00e3o inflacion\u00e1ria e\/ou sem aumentar o endividamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Investimentos nas diversas dimens\u00f5es ser\u00e1 a resposta. Na \u00e1rea de servi\u00e7os, por exemplo, os investimentos em educa\u00e7\u00e3o, treinamento e sistemas; na agricultura, saindo da \u00e1rea ex\u00f3gena como clima e terra, investimentos em tecnologia, infraestrutura e recursos humanos s\u00e3o fundamentais. Na ind\u00fastria, investimentos ser\u00e3o necess\u00e1rios em inova\u00e7\u00e3o, tecnologias, infraestrutura e recursos humanos. Os investimentos de prazo mais longo n\u00e3o s\u00e3o os da infraestrutura, mas os da qualifica\u00e7\u00e3o pessoal. Para formar engenheiros, m\u00e9dicos, economistas e outros acad\u00eamicos s\u00e3o necess\u00e1rios investimentos de no m\u00ednimo uma d\u00e9cada, porque antes de colocar o aluno na sala de aula, ser\u00e1 preciso atrair um excelente professor, que talvez esteja trabalhando em uma ind\u00fastria, banco ou em uma autarquia p\u00fablica. Outro movimento necess\u00e1rio \u00e9 reduzir limites at\u00e9 agora alcan\u00e7ados, como por exemplo, a carga tribut\u00e1ria, o lead time log\u00edstico, o tempo de atendimento dos servi\u00e7os p\u00fablicos e de indicadores sociais como a inclus\u00e3o, redu\u00e7\u00e3o de pobreza e desigualdades regionais, entre outras.<\/p>\n\n\n\n<p>O sinal que o Banco Central est\u00e1 nos dando \u00e9 que o limite do crescimento foi ultrapassado e o freio foi acionado. Pela experi\u00eancia hist\u00f3rica, o tempo que o BC usa para aumentar os juros \u00e9 tr\u00eas vezes mais curto do que o tempo que ele leva para baixar os juros. Portanto, retirar um pouco o p\u00e9 do freio significa, fazendo os c\u00e1lculos, que demoraremos mais de um ano e meio para alcan\u00e7armos novamente o patamar do in\u00edcio deste ano. Talvez possamos fazer crescer algum destes limites, para alimentar o crescimento sustent\u00e1vel de 7% ou mais, por um longo per\u00edodo. Temos o direito de sonhar com esta perspectiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Ingo Pl\u00f6ger \u00e9 empres\u00e1rio, engenheiro economista, conselheiro de empresas nacionais e internacionais e presidente da IP Desenvolvimento Empresarial e Institucional. Escreve mensalmente na Infomoney.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Escrito por&nbsp;Ingo Ploger&nbsp;em&nbsp;agosto 5, 2010. O Banco Central do Brasil elevou a taxa Selic em 50 pontos-base, contrapondo a tend\u00eancia da maioria dos analistas de mercado, que apostavam em 75 pontos-base. 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